quarta-feira, 6 de outubro de 2010

A partida

Como entrando numa armadilha, isso que meu coração sente no momento, mas pode ser apenas um pesadelo que minha mente devaneia, concentrar-me em arrumar as coisas, deixar os assuntos resolvidos, as roupas no lugar. Quando penso em minha família, tudo se conforta, conforto-me a condição de finalmente vê-los, há meses não vou a minha antiga casa. Porém, penso se isso realmente vai acontecer, se chegarei vivo. Não posso pensar assim, melhor pensar que tudo vai dar certo.
Hoje libertei um pássaro de uma gaiola, o guardara e admirara por algumas semanas, suas penas amarelas e seu canto triste, quando o soltei, por um momento receoso pairou por cima da gaiola, senti que me olhou nos olhos, e voou, nunca mais o verei, ou melhor, não o reconhecerei, são tão iguais ou diferentes. Sorte a dele de ter sido solto, mas agora sozinho no mundo sem saber bem onde está sei que vai ser difícil a adaptação, talvez irá ser pego por outro e guardado novamente, cantará triste pelo resto de sua vida. Tenho medo de ter destino parecido.
Meu receio está no desconhecido. Quem não receia ao enfrentar tal desafio de em busca de liberdade, arriscar numa viagem, e no fracasso, ter de voltar com tudo que antes levara. Com boas e más lembranças. Mas é minha família, sei que me receberão com fervor.
Meu coração sente que o fim se aproxima, tomara que esteja enganado e que muitos voos de pássaros ainda possa ver, muitos cantos também lamentar. Que ver quem eu amo seja uma forma de aliviar a dor da solidão e da luta. Nada é fácil, realmente.

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