-Você fez olhos de psicopata!
Deu uma risada sedutora, estava realmente interessada naquele homem de cabelos grandes, olhos intensos e boca fina. Luana passou as mãos
pelos seus cabelos para mostrar o interesse.
-Mas eu sou um psicopata!
Wesley disse com tom de cínico, sabia que ela o queria,
sorriu graciosamente e voltou a olhar para frente.
O ônibus estava no meio da viagem, as luzes logo iriam
se apagar, estava meio vazio e balançava ferozmente jogando-os de lá para cá. Luana
ajeitou-se na cadeira pouco confortável e ficou olhando pela janela enquanto tentava vê-lo no reflexo do vidro, quando não conseguia virava para o lindo homem timidamente. Tinham
conversado por boa parte do tempo, conheceram-se no ponto de ônibus em uma rua
perigosa da grande capital. Luana trabalhava durante a tarde e voltava sempre
no mesmo ônibus, quando o viu, foi como ver fogos de artificio.
-Vai fazer o que quando chegar lá?
-Ir dormir! (sorriu novamente)
-Vamos andar!
-Para onde?
-Sem destino.
-Não sei...
-Vamos, vai ser bom...
Assentiu com o rosto, ele sentou ao seu lado pulando o
banco vazio, estavam nas ultimas poltronas. Ela formigando por
dentro, será que ele seria seu grande amor de verão? Afinal, depois do ano novo tudo pode acontecer, até mesmo um novo romance.
O tempo agora passava rápido, logo desceram no inicio da
cidade, a proposta era andarem até a casa de Luana. Começaram a conversar
rispidamente, ele contanto piadas pouco interessantes sob uma grande lua cheia.
Luana de impulso encostou nele e juntos caminharam, na beira da estrada o vendo
era fraco, noite quente aquela e pequenos galhos de arvores a assustavam quando
quebravam.
-Medo desse lugar...
-Eu te protejo...
-Nossa, você é tão diferente!
-Eu sei.
Quando o silencio predominou estavam no topo de um morro, após
desce-lo seguindo a estrada de terra estariam perto da casa de Luana, Wesley
sentiu que era o momento e beijou-a calmamente, sentindo o calor de seu corpo e o contorno de sua face. Foi rápido, talvez um amor a primeira vista.
Wesley trajava uma camisa branca, uma calça preta e um tênis
comum, Luana uma blusa amarela de tom pastel, uma calça jeans e sandália, na
bolsa que carregava estavam seu celular, seu caderno, algumas canetas e uma
blusa de frio fina. Saíram do acostamento em direção a um restaurante já
fechado.
-Vamos entrar?
-Como?
-Assim...
Pulou com facilidade a cerca de madeira, ajudou-a na intensão
de ficarem a sós, ela ansiosa tinha medo de que algo acontecesse ou alguém aparecesse,
colocaria a culpa nele caso fosse preciso, apesar que sentiu que seria
covardia, calou-se e pulou a cerca, sentiu as mãos dele, calejadas, passarem
por sua cintura, dando apoio para não se machucar.
“Meu Deus, é um sonho” pensou.
Sentaram num banco de pedra fria, ouvindo apenas o som de
sapos e cigarras, mesmo a noite, o restaurante tinha seu charme, a lua
iluminava as mesas e cadeiras da varanda principal, a entrada era uma porta
grande de madeira velha, as arvores em volta traziam privacidade, quase não se
via a estrada.
Ele beijou-a dessa vez intensamente, arrancando suspiros
daquele coração maltratado, viu suas
formas sob a luz da lua, beijou-a mais e mais, excitados foram além, somente o
fervor do ato era evidente, sem proteção ou preocupação, entregaram-se a um
desejo intenso, Luana ainda de roupa abriu sua calça com cuidado, abaixou-a,
ele desengonçado apressou-se em fazer o mesmo, Luana sentiu a pedra fia em suas
costas e nádegas, arrepiou pois o homem que estava em cima dela estava quente,
quente como um fogo no ápice da chama.
***
Wesley soltou seu hálito quente e saboroso no ouvido de
Luana, que fez o mesmo. A consumação do ato foi a maior adrenalina que Luana já
experimentara até então, ele abraçou-a forte e mais forte, ela não sabia o que
sentir, o coração palpitava, despreocupada com tudo começou a sentir o aperto
do abraço mais forte.
As mãos de Wesley foram para perto do pescoço apertando no
lado direito, a esquerda tocava-a em partes intimas, Luana sentiu o prazer
ficar mais intenso, ate que começou a se machucar, pediu que parasse, mas
Wesley ignorou, seus músculos contraiam-se na ânsia do sexo. Luana sentiu a
pele do pescoço mais dolorida e quando veio a ardência de um corte feito pela
unha dele empurrou-o rapidamente, meio assustada levantou-se ainda com as
calças abaixadas, arrumou-se e com olhar de incompreensão disse nervosa –O que
está fazendo?-
-Te tendo por uma noite!
-Como assim? Você me machucou sabia?
-Sim, eu sabia.
-E porque fez isso?
-Você sabe, gostou e sei que quer!
-Sei o que?
-Não comece com esse joguinho, já tive mulheres que disseram
a mesma coisa...
-Como assim? Que jogo? Vou embora.
-Não, não vai, vocês são sempre iguais, com suas vidas
rotineiras, esperam que eu as salve, eu salvo, sempre salvo!
-Você me assusta... tchau!
-Volta aqui.
Puxou-a pelo cabelo na altura do ombro , ela sentiu a dor
inesperada, jogou-a no chão e tocou-a novamente, louco pelo sexo, para sentir
que ela se entregava.
-Pa.. Para! Me solta!
-Não!
Luana sentiu seu braço direito solto pelas mãos de Wesley
por alguns segundos, tempo suficiente para que ela desse um fraco soco em seu
rosto, levantou as pressas agora correndo para a cerca, determinada a ir embora
largara a bolsa em baixo do banco de pedra (pedra que agora estava quente).
Wesley levantou rindo e foi para pegá-la, não correu, quando
ela estava quase do outro lado, apressou-se, eram apenas alguns metros, mas não
conseguiu alcança-la a tempo, do outro lado Luana deu um ultimo olhar para ele,
com ódio e decepção.
-Volta Luana, vamos conversar, você entendeu errado!
-NÃO ENTENDI NADA ERRADO! ME DEIXE IR EMBORA!
Wesley saiu com a mesma agilidade que entrara, correu e em
poucos segundos alcançara Luana correndo desengonçadamente.
-Me escuta!
-O que foi! Me larga!
-Volta, estava tudo tão bom, sua bolsa ainda está lá!
-Pouco me importa a bolsa, olha o que fez comigo.
Passou as mãos no pescoço retirando o excesso de sangue que
chegara a camisa antes de cor pastel, Luana mal conseguia ver os traços de
Wesley, apenas via seus olhos eloquentes novamente.
-Você está com cara de psicopata de novo, alias nem é só a expressão
né, as atitudes também!
-Eu disse para você que sou um psicopata, e nunca falho!
Sentiu as mãos de Wesley em seu pescoço mais rápido que
quando processou a frase antes dita, não tinha como agir, por mais que esperneasse
ou batesse nele, ele demonstrava-se forte e determinado, sentiu a pressão do
sangue em seu rosto aumentar, sentia dor na garganta por onde nenhum ar passava,
sem respirar começou a ter os pensamentos a mil, de forma inconsciente estava
rezando por salvação.
-Eu vou te tirar dessa vida medíocre Luana, confie em mim.
Wesley tinha tanta convicção no que fazia, tanta serenidade.
Luana com visão embaçada já aceitando seu então destino viu
de longe o farol de um carro, vinha de vagar, sua visão escureceu, sua audição
falhou, seu corpo amoleceu aos poucos, até que seu nariz que saia sangue conseguiu
puxar ar, sentiu seu corpo cair no chão machucando pelas pedras do acostamento,
mal abriu os olhos e viu Wesley levando socos e chutes, caído em dor.
“Graças a Deus”
Ficou ali ate alguém perguntar se ela estava bem, disse sim
com a voz fraca, o pescoço estava todo marcado e sujo de sangue, viu Wesley inconsciente,
voltou e pegou sua bolsa ainda com medo do que se escondia na escuridão,
chamaram a policia, Luana foi para casa, chorando e agradecendo por ainda estar
viva.
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