Te convido a viajar comigo, paisagens, amores, bebidas e ressacas. Atraente não? Quase trivial.
Destino: Juazeiro, Bahia.
Data da viagem: Não me lembro!
Saindo de: Matozinhos, MG.
Dinheiro? Mais ou menos R$1500,00 (Incluindo excesso de bagagem, fiquem atentos quanto a isso)
Meio de transporte: aviões (Sim, 4 contando ida e volta, além do taxi já em pernambuco)
Motivo da viagem: Inicio de faculdade (Que nunca vou terminar)
Imaginem a ansiedade, Seis meses de espera pela minha ida à Bahia, havia completado 18 anos e estava completamente louco para morar sozinho, essa era minha primeira oportunidade a qual me agarrei com todas as forças, sofria de coração partido, de rebeldia juvenil, de dores pela primeira tatuagem e sofria ainda de amnésia de nomes, nunca me lembrava no nome da pessoa que acabava de conhecer (o que creio ser normal). No dia anterior à minha viagem, na sexta feira, tinha que me despedir de tudo e todos, partiria no sábado de manhã.
Com a ajuda de minha mãe fui colocando lembranças e acessórios em minha mala ( enorme) daquelas que usamos para salvar o mundo, quando uma infinidade de roupas, toalha, travesseiro, edredons e remédios foram colocados dentro, mal conseguia fechar a mala, resolvemos então, para adiantar o processo descer com a mala, deixando-a perto da porta, facilitando assim a saída né. Um verdadeiro malabarismo por assim dizer, somos completos desastrados e quanto mais tínhamos cuidados mais coisa dava errada, tanto que a alça da mala arrebentou-se no meio do pequeno percurso ( foi aí que me veio o frio na barriga, como andar com uma mala que se desmonta de tão pesada ). Sentia um pequeno aperto no peito por deixar todos de minha família, fomos na parte da noite para uma festa na casa de uma amiga da família, todos estavam reunidos, como uma despedida para mim. Bebemos, rimos e nos abraçamos, foram tantas fotos que não lembro mais de todas, minha afilhada pequena ainda, tentava levar uma conversa séria comigo para saber se eu iria ou não demorar, abracei-a com ternura e ansiedade, até que resolvi ir para casa dormir, algo que não o fiz, fiquei girando pela cama até as 6h.
Alegria quando o despertador tocou, me levantei ligeiro, meu cabelo estava por cortar, me sentia tão feio, mas fui me arrumando ao estilo "like a boss"¹. Entrei no carro sentindo o frio do interior de Minas, aquele ar fresco e gélido dava um aperto ainda maior no peito, dentro do carro, minha madrinha, minha tia, meu tio, minha mãe, minha avó e minha prima, eu apertadinho ali do lado desejando chegar logo e andar pela primeira vez de avião ( ual, que expectativa!). Uma hora ou menos depois, chegamos ao aeroporto de Confins, fiz o chek-in e para minha surpresa, excesso de bagagem, lá vai um dinheiro a mais, uns R$60,00.
Agora sim os nervos estavam altos, subi as escadas para o portão de embarque com todos me seguindo, adoro aeroportos, todos tão bem arrumados, cheios de histórias e contradições, mas eu era o principal da minha história e confesso não ter reparado em mais ninguém, abracei cada um espantado por não derramar uma lágrima, caminhei até o portão de embarque e fui andando por aquele corredor torto, morrendo de medo claro, entrei completamente virgem e saí apaixonado, 1h e meia até salvador, muitas nuvens, muitas paisagens diferentes, tentava na cabeça visualizar o mapa do Brasil e me ver por ali, mas não consegui, confesso, cheguei ao aeroporto de salvador completamente perdido, faltava pouco para o voo até Petrolina-PE e eu não encontrava onde embarcaria, pedi ajuda, ajuda, ajuda e finalmente, por um milagre divino encontrei uma simpática mulher de SP que iria para Petrolina também, juntos vencemos aquele labirinto e ela, para minha surpresa, era uma ótima ouvinte, acreditem, ouviu meus devaneios adolescentes por todo o percurso e por todo tempo de espera, entrei no avião morrendo de medo, sim, pois o primeiro era daqueles grandões, mas este, era pequenininho, eu conseguia ver tudo muito frágil, no ar, tudo parecia tremer, 1h de voo e finalmente, cheguei a ensolarada Petrolina, realmente, como me disseram, é quente!
Fui arrastando minha mala enorme e pesada pelo saguão, ainda me sentindo perdido, ao segurança perguntei por um táxi e fui até a saída, avistei logo um táxi bem bonito, "carrão" mesmo, o motorista tão feio, e cheio de sotaque, reconheceu logo que eu era mineiro e fez-se bom professor de gírias nordestinas, desde galego até loira, me explicou sobre a carne de bode e sobre como as mulheres de Petrolina e Juazeiro eram "arretadas" e como gostavam de uma "resenha". Esse seria meu novo lar por 4 anos, fiquei olhando maravilhado a paisagem, quando atravessamos a ponte que separa as duas cidades fiquei com arrepios de tão bonito que é, o Rio São Francisco fazendo um contraste azulado com o céu, e deu até para ver onde ficava a UNIVASF, a faculdade que eu tinha me matriculado. Ambiente seco e molhado, será possível? lá é.
Em Juazeiro a diferença de desenvolvimento era gritante, porém, como me foi informado, erá o lugar mais festeiro da região, e a "rixa" entre Petrolina e Juazeiro parece com Cruzeiro e Atlético. Pois é, a Avenida principal era movimentada e dela pegamos uma ruazinha discreta onde ficava minha nova casa. Continuo meu relato na próxima semana, e conto os detalhes e prazeres da faculdade de lá, da comida, das festas e das pessoas. Mas já adianto, a Ilha do Fogo é sem dúvidas o melhor lugar durante o dia e uma praça onde tem o Vaporzinho² é o melhor lugar a noite Fiquem ligados!
1- expressão que significa algo como, o poderoso chefão, o cara e muitas outras conotações.
2- Famoso Vapor que fazia a travessia do rio, hoje são várias barquinhas, mas este vapor é especial, agora ele fica no meio da praça, com todos seus assentos peculiares e cheio de gente bonita.
Destino: Juazeiro, Bahia.
Data da viagem: Não me lembro!
Saindo de: Matozinhos, MG.
Dinheiro? Mais ou menos R$1500,00 (Incluindo excesso de bagagem, fiquem atentos quanto a isso)
Meio de transporte: aviões (Sim, 4 contando ida e volta, além do taxi já em pernambuco)
Motivo da viagem: Inicio de faculdade (Que nunca vou terminar)
Imaginem a ansiedade, Seis meses de espera pela minha ida à Bahia, havia completado 18 anos e estava completamente louco para morar sozinho, essa era minha primeira oportunidade a qual me agarrei com todas as forças, sofria de coração partido, de rebeldia juvenil, de dores pela primeira tatuagem e sofria ainda de amnésia de nomes, nunca me lembrava no nome da pessoa que acabava de conhecer (o que creio ser normal). No dia anterior à minha viagem, na sexta feira, tinha que me despedir de tudo e todos, partiria no sábado de manhã.
Com a ajuda de minha mãe fui colocando lembranças e acessórios em minha mala ( enorme) daquelas que usamos para salvar o mundo, quando uma infinidade de roupas, toalha, travesseiro, edredons e remédios foram colocados dentro, mal conseguia fechar a mala, resolvemos então, para adiantar o processo descer com a mala, deixando-a perto da porta, facilitando assim a saída né. Um verdadeiro malabarismo por assim dizer, somos completos desastrados e quanto mais tínhamos cuidados mais coisa dava errada, tanto que a alça da mala arrebentou-se no meio do pequeno percurso ( foi aí que me veio o frio na barriga, como andar com uma mala que se desmonta de tão pesada ). Sentia um pequeno aperto no peito por deixar todos de minha família, fomos na parte da noite para uma festa na casa de uma amiga da família, todos estavam reunidos, como uma despedida para mim. Bebemos, rimos e nos abraçamos, foram tantas fotos que não lembro mais de todas, minha afilhada pequena ainda, tentava levar uma conversa séria comigo para saber se eu iria ou não demorar, abracei-a com ternura e ansiedade, até que resolvi ir para casa dormir, algo que não o fiz, fiquei girando pela cama até as 6h.
Alegria quando o despertador tocou, me levantei ligeiro, meu cabelo estava por cortar, me sentia tão feio, mas fui me arrumando ao estilo "like a boss"¹. Entrei no carro sentindo o frio do interior de Minas, aquele ar fresco e gélido dava um aperto ainda maior no peito, dentro do carro, minha madrinha, minha tia, meu tio, minha mãe, minha avó e minha prima, eu apertadinho ali do lado desejando chegar logo e andar pela primeira vez de avião ( ual, que expectativa!). Uma hora ou menos depois, chegamos ao aeroporto de Confins, fiz o chek-in e para minha surpresa, excesso de bagagem, lá vai um dinheiro a mais, uns R$60,00.
Agora sim os nervos estavam altos, subi as escadas para o portão de embarque com todos me seguindo, adoro aeroportos, todos tão bem arrumados, cheios de histórias e contradições, mas eu era o principal da minha história e confesso não ter reparado em mais ninguém, abracei cada um espantado por não derramar uma lágrima, caminhei até o portão de embarque e fui andando por aquele corredor torto, morrendo de medo claro, entrei completamente virgem e saí apaixonado, 1h e meia até salvador, muitas nuvens, muitas paisagens diferentes, tentava na cabeça visualizar o mapa do Brasil e me ver por ali, mas não consegui, confesso, cheguei ao aeroporto de salvador completamente perdido, faltava pouco para o voo até Petrolina-PE e eu não encontrava onde embarcaria, pedi ajuda, ajuda, ajuda e finalmente, por um milagre divino encontrei uma simpática mulher de SP que iria para Petrolina também, juntos vencemos aquele labirinto e ela, para minha surpresa, era uma ótima ouvinte, acreditem, ouviu meus devaneios adolescentes por todo o percurso e por todo tempo de espera, entrei no avião morrendo de medo, sim, pois o primeiro era daqueles grandões, mas este, era pequenininho, eu conseguia ver tudo muito frágil, no ar, tudo parecia tremer, 1h de voo e finalmente, cheguei a ensolarada Petrolina, realmente, como me disseram, é quente!
Fui arrastando minha mala enorme e pesada pelo saguão, ainda me sentindo perdido, ao segurança perguntei por um táxi e fui até a saída, avistei logo um táxi bem bonito, "carrão" mesmo, o motorista tão feio, e cheio de sotaque, reconheceu logo que eu era mineiro e fez-se bom professor de gírias nordestinas, desde galego até loira, me explicou sobre a carne de bode e sobre como as mulheres de Petrolina e Juazeiro eram "arretadas" e como gostavam de uma "resenha". Esse seria meu novo lar por 4 anos, fiquei olhando maravilhado a paisagem, quando atravessamos a ponte que separa as duas cidades fiquei com arrepios de tão bonito que é, o Rio São Francisco fazendo um contraste azulado com o céu, e deu até para ver onde ficava a UNIVASF, a faculdade que eu tinha me matriculado. Ambiente seco e molhado, será possível? lá é.
Em Juazeiro a diferença de desenvolvimento era gritante, porém, como me foi informado, erá o lugar mais festeiro da região, e a "rixa" entre Petrolina e Juazeiro parece com Cruzeiro e Atlético. Pois é, a Avenida principal era movimentada e dela pegamos uma ruazinha discreta onde ficava minha nova casa. Continuo meu relato na próxima semana, e conto os detalhes e prazeres da faculdade de lá, da comida, das festas e das pessoas. Mas já adianto, a Ilha do Fogo é sem dúvidas o melhor lugar durante o dia e uma praça onde tem o Vaporzinho² é o melhor lugar a noite Fiquem ligados!
1- expressão que significa algo como, o poderoso chefão, o cara e muitas outras conotações.
2- Famoso Vapor que fazia a travessia do rio, hoje são várias barquinhas, mas este vapor é especial, agora ele fica no meio da praça, com todos seus assentos peculiares e cheio de gente bonita.
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